No Simulado de Campo da Fiocruz, os mosquitos Aedes aegypti já nascem com a bactéria Wolbachia.
Técnico do projeto faz coleta semanal de mosquitos capturados na armadilha.
Identificação de mosquitos captutados nas armadilhas.
Os mosquitos capturados nas armadilhas são separados e apenas o Aedes aegypti seguem para a etapa de diagnóstico.
Na etapa de diagnóstico, os Aedes aegypti são analisados individualmente para verificar se possuem a bactéria Wolbachia.

Sobre o projeto

O objetivo do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil é promover a substituição de Aedes aegypti por mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que têm capacidade reduzida de transmitir arboviroses como dengue, Zika e chikungunya.

As ações do projeto seguem protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e se dividem em diferentes etapas.

Engajamento Comunitário

Na fase de Engajamento Comunitário, as equipes do projeto interagem com a população e instituições como unidades de saúde, escolas, igrejas, associações e organizações não-governamentais para difundir informações sobre o Eliminar a Dengue e explicar sobre as fases seguintes. Nesta etapa é aplicada uma pesquisa que evidencia o entendimento e aceitação da população local acerca do método.

Além disso, é constituído um Grupo Comunitário de Referência, um comitê local que acompanha todas as ações realizadas na localidade. Um sistema de informações também é disponibilizado. Qualquer dúvida, crítica, sugestão ou elogio é registrado pelas equipes do projeto e uma resposta é elaborada e dada ao cidadão.

Ao longo deste processo, ações de comunicação são realizadas, bem como eventos e comunicações à imprensa. Uma página no Facebook e canais de comunicação são abertos via e-mail, telefone e WhatsApp.  

Liberação de mosquitos

Aproximadamente três meses após o início do Engajamento Comunitário, começa a liberação dos mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Os mosquitos são criados no insetário da Fiocruz pela equipe de Entomologia, em uma estrutura chamada Simulado de Campo, que possui características de umidade e temperatura similares a que os mosquitos encontram no ambiente externo.

As liberações acontecem nas primeiras horas da manhã e são feitas pela equipe de Entomologia de Campo, de carro. Em determinadas regiões, esse trabalho é feito a pé, por agentes de vigilância em saúde e agentes comunitários de saúde das prefeituras municipais do Rio de Janeiro e de Niterói. São feitos, em média, dez ciclos de liberações em cada localidade. Cada localidade pode receber, no máximo, três rodadas de liberação.

Monitoramento

Cerca de um mês após o início  das liberações de Aedes  com Wolbachia, começa o monitoramento da população de Aedes aegypti. Armadilhas são instaladas na casa de anfitriões, isto é, moradores e comerciantes locais que, voluntariamente, disponibilizam um local para a instalação da armadilha. Os anfitriões manifestam formalmente o aceite em colaborar com o Eliminar a Dengue: Desafio Brasil.

Semanalmente, técnicos do Eliminar a Dengue: Desafio Brasil vão até esses locais para fazer a coleta dos mosquitos. Na sede do projeto, na Expansão do campus da Fundação Oswaldo Cruz, os mosquitos capturados são separados e identificados pois, além do Aedes aegypti, outras espécies podem cair na armadilha.

Na sequência, os Aedes aegypti são enviados para o Laboratório de Diagnóstico, onde são verificados um a um. Essa análise tem por objetivo identificar o DNA da bactéria Wolbachiano organismo do mosquito, e é um indicador do estabelecimento da população dos mosquitos do Eliminar a Dengue: Desafio Brasil nas localidades atendidas pelo projeto. Por meio desse diagnóstico, é possível verificar a porcentagem de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia em cada área.

O método não envolve modificação genética nem no mosquito, nem na bactéria, é natural e autossustentável.

Além do monitoramento dos Aedes aegypti com Wolbachia em campo, também é feito um estudo epidemiológico para identificar a eficiência desta metodologia no combate às arboviroses.