Identificação de mosquitos captutados nas armadilhas.

Sobre o programa

Somos World Mosquito Program, a iniciativa global de combate a doenças transmitidas por mosquitos

Fazemos parte do World Mosquito Program (WMP), uma iniciativa internacional sem fins lucrativos que trabalha para proteger a comunidade global de doenças transmitidas por mosquitos. Iniciado por pesquisadores australianos da Universidade de Monash, o World Mosquito Program usa um método seguro, natural e autossustentável para reduzir a ameaça de doenças transmitidas por mosquitos, como Zika, dengue e chikungunya: o mosquito Aedes aegypti com Wolbachia.

O World Mosquito Program opera atualmente em 12 países ao redor do mundo - incluindo Austrália, Brasil, Colômbia, México, Indonésia, Sri Lanka, Índia, Vietnã, Kiribati, Fiji, Vanuatu e Nova Caledônia. Dirigido pelo professor Scott O'Neill, o WMP reúne colaboradores científicos de todo o mundo com ampla experiência no estudo da bactéria Wolbachia, biologia e ecologia de mosquitos, epidemiologia de doenças transmitidas por Aedes aegypti, controle vetorial e educação e promoção da saúde.

No início de suas atividades, o WMP era conhecido como Eliminate Dengue: Our Challenge, e os projetos desenvolvidos mundo afora seguiam essa marca. Por isso, desde o início das atividades no Brasil em 2012, conduzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sediada na cidade do Rio de Janeiro, viemos utilizando o nome Eliminar a Dengue: Desafio Brasil. A transição do nome para World Mosquito Program se deu em 2018.   

Assista à animação que resume como atividades do programa internacional:

 

 

Sobre o Método Wolbachia

O objetivo do World Mosquito Program é promover a substituição de Aedes aegypti por mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que têm capacidade reduzida de transmitir arboviroses como dengue, Zika e chikungunya.

As ações do projeto seguem protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e se dividem em diferentes etapas.

Engajamento Comunitário

Na fase de Engajamento Comunitário, as equipes do projeto interagem com a população e instituições como unidades de saúde, escolas, igrejas, associações e organizações não-governamentais para difundir informações sobre o Método Wolbachia e explicar sobre as fases seguintes. Nesta etapa é aplicada uma pesquisa que evidencia o entendimento e aceitação da população local acerca do método.

Além disso, é constituído um Grupo Comunitário de Referência, um comitê local que acompanha todas as ações realizadas na localidade. Um sistema de informações também é disponibilizado. Qualquer dúvida, crítica, sugestão ou elogio é registrado pelas equipes do projeto e uma resposta é elaborada e dada ao cidadão.

Ao longo deste processo, ações de comunicação são realizadas, bem como eventos e comunicações à imprensa. Canais de comunicação são abertos via e-mail, telefone, redes sociais e WhatsApp.  

Liberação de mosquitos

Aproximadamente três meses após o início do Engajamento Comunitário, começa a liberação dos mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Os mosquitos são criados no insetário da Fiocruz pela equipe de Entomologia, em uma estrutura chamada Simulado de Campo, que possui características de umidade e temperatura similares a que os mosquitos encontram no ambiente externo.

As liberações acontecem nas primeiras horas da manhã e são feitas pela equipe de Entomologia de Campo, de carro. Em determinadas regiões, esse trabalho é feito a pé, por agentes de vigilância em saúde e agentes comunitários de saúde das prefeituras municipais do Rio de Janeiro e de Niterói. A liberação é feita por algumas semanas e cada localidade pode receber até três rodadas de liberação.

Monitoramento

Cerca de um mês após o início  das liberações de Aedes  com Wolbachia, começa o monitoramento da população de Aedes aegypti. Armadilhas são instaladas na casa de anfitriões, isto é, moradores e comerciantes locais que, voluntariamente, disponibilizam um local para a instalação da armadilha. Os anfitriões manifestam formalmente o aceite em colaborar com o World Mosquito Program.

Semanalmente, técnicos vão até esses locais para fazer a coleta dos mosquitos. Na sede do projeto, na Expansão do campus da Fundação Oswaldo Cruz, os mosquitos capturados são separados e identificados pois, além do Aedes aegypti, outras espécies podem cair na armadilha.

Na sequência, os Aedes aegypti são enviados para o Laboratório de Diagnóstico, onde são verificados um a um. Essa análise tem por objetivo identificar o DNA da bactéria Wolbachia no organismo do mosquito, e é um indicador do estabelecimento da população dos mosquitos aliados nas localidades atendidas pelo World Mosquito Program. Por meio desse diagnóstico, é possível verificar a porcentagem de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia em cada área.

O método não envolve modificação genética nem no mosquito, nem na bactéria, é natural e autossustentável.

Além do monitoramento dos Aedes aegypti com Wolbachia em campo, também é feito um estudo epidemiológico para identificar a eficiência desta metodologia no combate às arboviroses.