Neste verão, mantenha-se hidratado e preste atenção aos sintomas da dengue

Por: Guilherme Costa

Aos 19 anos Bruno foi salvo pela mãe. Ela quem insistiu para ele ir ao Hospital Salgado Filho, zona norte do Rio de Janeiro/RJ, depois de vários dias com dores pelo corpo, febre alta e um quadro de desidratação (que, na época, ele não soube identificar). Bruno Ferraz, jornalista, teve um quadro grave de dengue e precisou ficar um mês hospitalizado. "Quando me internaram fiquei vários dias direto no soro. Tinha sangue nas fezes, no nariz e minhas plaquetas estavam muito baixas", lembra. 

Esse quadro grave, se não tratado a tempo, pode levar o paciente à morte. Em 2019, 710 pessoas morreram em decorrência da dengue no Brasil e outros 371 casos estão sob investigação pelo Ministério da Saúde. Estes dados são do último boletim epidemiológico divulgado pelo órgão federal, em dois de novembro. "Com a chegada do verão e o aumento dos casos de dengue, o importante é a pessoa não negligenciar os sintomas e procurar ajuda médica", ressalta a médica e coordenadora de epidemiologia do WMP Brasil, Betina Durovni.

Os sintomas da dengue são febre repentina, dor no corpo, nos olhos e podem aparecer algumas pintinhas vermelhas pelo corpo. Em um quadro mais grave, como o de Bruno, a febre cede, mas depois volta junto com tonturas, vômitos, dor abdominal e um quadro de desidratação. Estes são os sintomas da dengue hemorrágica, que se não for tratada com urgência, pode levar à morte. "Esses sintomas todos podem ser facilmente confundidos com os de outras viroses, por isso é importante a pessoa se manter hidratada, ainda mais no verão, e ir ao médico com a persistência dos sintomas", reforça a especialista.

Apesar do nome, a dengue hemorrágica não necessariamente leva à perda de sangue, mas, quando há casos de sangramentos nas fezes, vômitos ou pelo nariz, significa que o caso é bastante grave e é preciso buscar o serviço médico imediatamente. "A característica da dengue hemorrágica é um extravasamento de líquidos interno, nos vasos do paciente, que pode levar a um choque, que por sua vez pode levar à morte. Além disso, as plaquetas ficam muito baixas", explica Betina. 

No caso de crianças, idosos ou pacientes com outras doenças crônicas, o alerta é ainda maior. Os dados do Ministério da Saúde apontam que, entre as mortes registrada neste ano, a maior parte foi de pacientes idosos. Para prevenir o agravamento do quadro de dengue, a orientação é manter-se hidratado, e buscar atendimento médico se os sintomas aparecerem e persistirem. E para evitar a dengue, é preciso combater os focos de criação do mosquito. "O Método Wolbachia do WMP tem se mostrado eficaz no combate à dengue, Zika e chikungunya, mas não podemos esquecer que ele é complementar. Todas as ações feitas pela população e pelos governos devem ser mantidas", destaca o líder do WMP no Brasil, Luciano Moreira.