Perguntas frequentes

Confira algumas das perguntas mais comuns sobre o projeto 'Eliminar a Dengue: Desafio Brasil'. Outras dúvidas podem ser encaminhadas à equipe pelos contatos disponíveis neste link.

 

1. A Wolbachia pode causar mal às pessoas?

Como é uma bactéria intracelular, a Wolbachia tem várias limitações na sua habilidade de disseminação, já que pode ser transmitida apenas verticalmente, no processo de reprodução. A saliva de mosquitos com Wolbachia foi examinada pela equipe do Programa ‘Eliminar a Dengue’, na Austrália, e verificou-se que não contém a Wolbachia. Além disso, como é necessariamente intracelular, a Wolbachia não atravessa o estreito duto salivar do mosquito: a célula onde a Wolbachia fica localizada é da ordem de grandeza de 10 µm (micrômetros), enquanto o duto salivar tem apenas 1 µm de calibre. [O micrômetro é a milésima parte do milímetro.]

Muitos insetos, incluindo diversas espécies de mosquitos, naturalmente carregam a Wolbachia. Esses mosquitos comumente picam pessoas sem efeitos negativos – como o pernilongo comum, por exemplo. Durante cinco anos, pesquisadores do programa ‘Eliminar a Dengue’, na Austrália, voluntariamente alimentaram uma colônia de mosquitos com Wolbachia, resultando em centenas de milhares de picadas de mosquitos nessa equipe sem que fossem detectadas reações.

Outra informação importante é que, por ser uma bactéria intracelular, a Wolbachia não pode sobreviver fora de uma célula viva do inseto. Isso significa que quando o mosquito morre, ela morre também. 

Por fim, vale ressaltar que antes do início dos testes de campo na Austrália, com a liberação de mosquitos com Wolbachia, uma análise independente de risco concluiu sobre a segurança da introdução da Wolbachia na população local de mosquitos. A Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade das Nações (CSIRO, principal Agência de Ciência da Austrália) concluiu que este método apresenta riscos insignificantes tanto para o meio ambiente quanto para a segurança humana. Uma aprovação regulamentar para a soltura do Aedes com Wolbachia foi concedida pelo Governo Australiano por meio da Autoridade Australiana de Pesticidas e Medicamentos Veterinários (APVMA, na sigla em inglês).

 

2. A Wolbachia é tóxica?

As bactérias Wolbachia são extremamente comuns, naturalmente encontradas em uma grande variedade de espécies de insetos, incluindo pragas de produtos alimentícios quando armazenados, bem como insetos que picam humanos, como alguns mosquitos. Não há indicativos de que resíduos de insetos com Wolbachia nos produtos alimentícios sejam nocivos aos humanos nem que exista algum efeito adverso relatado a partir de pessoas que foram picadas por insetos com Wolbachia. Os mosquitos com Wolbachia que são usados em liberações pelo projeto são criados em condições laboratoriais, e, portanto, não possuem patógenos humanos, como a dengue.

3. A Wolbachia é transgênica?

O método de Wolbachia foi avaliado pelo Gabinete Regulador de Tecnologia Genética da Austrália e não foi considerado como representando um organismo geneticamente modificado ao amparo da Lei. No Brasil, de acordo com as normas locais da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também não se enquadraria como um OGM. As Wolbachia não podem ser cultivadas em cultura sem célula. Elas nunca foram geneticamente manipuladas e atualmente não existe nenhuma tecnologia para modificar geneticamente as Wolbachia.

4. O Aedes aegypti com Wolbachia tem sua capacidade como vetor para a dengue aumentada?

Não. Pelo contrário, estudos liderados pela Universidade de Monash (Melbourne, Austrália), com a participação do Dr. Luciano Moreira, coordenador do projeto no Brasil, demonstraram que a Wolbachia é capaz de bloquear a transmissão do vírus da dengue no Aedes aegypti, originando uma proposta natural e autossustentável para o controle da doença.

5. Quais outras espécies de insetos possuem a Wolbachia?

Cerca de até 60% dos insetos possuem naturalmente a bactéria Wolbachia, inclusive, o pernilongo, aquele mosquito que faz um zumbido e nos perturba o sono. Além disso, ela é frequentemente encontradas nos insetos artrópodes, como borboletas, moscas, joaninhas, besouros, vespas, aranhas, incluindo diversos insetos que picam os humanos.

6. Se a Wolbachia é tão comum nos insetos, por que justamente o Aedes não possui a bactéria?

Esta questão ainda não é conhecida. Sabemos que a bactéria não infecta naturalmente as espécies de mosquitos vetores mais importantes, como o A. aegypti e nenhuma espécie de mosquitos Anopheles.

7. Como foi a metodologia de uso da Wolbachia em Aedes aegypti?

A Wolbachia foi inicialmente transferida da mosca-da-fruta para os ovos do Aedes aegypti por meio de um procedimento de microinjeção, realizado com uma agulha extremamente fina. Foram necessários anos e milhares de tentativas em laboratório para alcançar este resultado. Uma vez no interior da célula, a Wolbachia estabelece uma presença estável em vários tecidos do mosquito. Como as Wolbachia são intracelulares e maternalmente transmitidas, os mosquitos que serão liberados contendo Wolbachia transmitirão essa bactéria para os filhotes (das fêmeas para os ovos).

Para mais informações sobre a Wolbachia, clique aqui

8. Além do vírus da dengue, a Wolbachia atua sobre os vírus Zika e chikungunya?

O grupo de cientistas do programa internacional ‘Eliminar a Dengue: Nosso Desafio’ comprovou em laboratório que, quando inserida no mosquito Aedes aegypti, a bactéria Wolbachia é capaz de reduzir a transmissão dos vírus dengue e da febre amarela (que são da mesma família Flaviviridae) e do vírus Chikungunya (que pertence à família Togaviridae). Recentemente, os pesquisadores do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil publicaram um artigo na revista científica 'Cell Host & Microbe' no qual demonstram que a Wolbachia atua sobre o vírus Zika, que pertence à mesma família dos vírus dengue e da febre amarela. Vale acrescentar que a Wolbachia atua ainda na redução do parasita Plasmodium, causador da malária, doença transmitida por outra espécie de mosquito.