Estudo clínico randomizado controlado realizado na Indonésia comprova a eficácia do Método Wolbachia.
Liderança comunitária do Complexo do Alemão (foto: Flávio Carvalho/arte: Júlia Parente)
Engajamento Comunitário realiza atividade em escola do Rio de Janeiro na Semana de Cobate às Arboviroses (foto: Flávio Carvalho)
Equipe de Diagnóstico analisa mosquitos capturados nas armadilhas instaladas nos imóveis dos voluntários (foto: Flávio Carvalho)
Arthur participa de evento promovido pelo WMP Brasil no Horto do Fonseca, em Niterói (foto: Flávio Carvalho)
Liberação de Aedes agypti com Wolbachia no Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (foto: Flávio Carvalho)

WMP Brasil

Fique por dentro das notícias mais recentes sobre o WMPBrasil e o Método Wolbachia, uma iniciativa inovadora de combate às doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, Zika, chikungunya e Febre Amarela urbana. 

 

WMP Brasil abre vagas para bolsistas em Belo Horizonte (MG)

O WMP Brasil torna pública a realização de Processo Seletivo Simplificado para preenchimento imediato de 17 vagas de bolsista de pesquisa para a cidade de Belo Horizonte/MG. Confira as chamadas nos links abaixo.

Link para a Chamada 03/2020 Retificada 17/09/2020: https://bit.ly/3kyabtv 
Link para a Retificação Chamada 03/2020 - 17/09/2020: https://bit.ly/2FvkTSF
Link para a Chamada 03/2020 Retificada - 16/09/2020: https://bit.ly/2ZLyVpZ
Link para a Chamada 02/2020 Retificada - 16/09/2020: https://bit.ly/2ZLOPk6 
Link para a Retificação Chamada 03/2020 - 16/09/2020: https://bit.ly/2ZGdVkj
Link para a Retificação Chamada 02/2020 -  16/09/2020: https://bit.ly/2ZEHuD5
Link para a Retificação - 02/2020: https://bit.ly/2ZDsANt
Link para a Retificação - 03/2020 https://bit.ly/33xPVB8
Link para a Chamada - 02/2020: https://bit.ly/2E2vLGK
Link para a Chamada - 03/2020: https://bit.ly/3c2l8k0



Estudo clínico aponta redução de 77% de casos dengue com implementação do Método Wolbachia em Yogyakarta, Indonésia

No Brasil, iniciativa é conduzida pela Fiocruz e já apresenta dados preliminares que apontam redução de chikungunya

Um estudo realizado pelo World Mosquito Program (WMP), da Universidade de Monash, na Austrália, em parceria com a Tahija Foundation e Universidade Gadjah Mada, na Indonésia, apontou redução¹ de 77% na incidência de casos de dengue virologicamente confirmados nas áreas onde houve liberação de Aedes aegypti com Wolbachia, em Yogyakarta, Indonésia, quando comparado com áreas que não receberam o método. 

O estudo clínico randomizado controlado (Randomized Controlled Trial - RCT) “Applying ​Wolbachia​ to Eliminate Dengue (AWED)”, teve duração de três anos e foi conduzido em uma área que abrange cerca de 321 mil habitantes². Doze de 24 áreas de tamanhos semelhantes da cidade de Yogyakarta foram escolhidas aleatoriamente para receber os mosquitos com Wolbachia do WMP em conjunto com as medidas de rotina de controle da dengue realizadas no município. As 12 áreas restantes continuaram recebendo apenas as ações de rotina de controle da dengue.

O ensaio envolveu 8.144 participantes com idades entre 3 e 45 anos que se apresentaram a uma das 18 clínicas de atenção primária com febre aguda indiferenciada de um a quatro dias de duração. O estudo utilizou o método de teste negativo para analisar e medir a eficácia da Wolbachia (cepa WMel) em reduzir a incidência de casos confirmados de dengue em um período de 27 meses. A implementação do Método Wolbachia foi bem aceita pela comunidade e não houve preocupações de segurança.

Este estudo marca uma década de pesquisas de laboratório e de campo, começando primeiro na Austrália e depois expandindo para onze países onde a dengue é endêmica, entre eles o Brasil. O diretor global do WMP,  Scott O'Neill, afirma que este era o resultado que os cientistas do WMP esperavam. "Temos evidências de que nosso método é seguro, sustentável e reduz a incidência de dengue. Agora podemos ampliar essa intervenção para várias cidades em todo o mundo”, destaca. 

A diretora de avaliação de impacto do WMP, Katie Anders, ressalta que “este é o primeiro estudo para demonstrar impacto na incidência da doença. O resultado do ensaio é consistente com nossos achados de estudos anteriores não randomizados em Yogyakarta e no norte de Queensland, e com previsões de modelagem epidemiológica de uma redução substancial na carga de dengue após implementação do Método Wolbachia”.

O estatístico independente do estudo, Nicholas Jewell, professor de Bioestatística e Epidemiologia da London School of Hygiene & Tropical Medicine e também professor da University of California, Berkeley, avalia que "os resultados são convincentes. É duplamente empolgante, pois o desenho do ensaio usado na Indonésia fornece um modelo que pode ser seguido por outras cidades candidatas a realizar intervenções de saúde".

Detalhes do resultado serão apresentados em novembro, em um congresso acadêmico, além de publicação em um periódico científico. Mais informações podem ser obtidas em worldmosquitoprogram.org. 

Método Wolbachia no Brasil

No país, o Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, com apoio de governos locais. As ações iniciaram no Rio de Janeiro (RJ) e em Niterói (RJ), em uma área que abrange um milhão e 300 mil habitantes. Em Niterói, dados preliminares já apontam redução de 75% dos casos de chikungunya nas áreas que receberam os Aedes aegypti com Wolbachia, quando comparado com áreas que não receberam.

Atualmente, o projeto está em expansão para Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG). Na capital mineira, também será realizado um estudo clínico similar ao conduzido pelo WMP na Indonésia. A cidade será a primeira das Américas a acompanhar casos de dengue, Zika e chikungunya por meio de um estudo clínico randomizado controlado (RCT, em inglês), em conjunto com o Método Wolbachia.

Em uma primeira etapa, alguns bairros vão receber o Aedes aegypti com Wolbachia enquanto outros irão receber após a validação do estudo e aprovação junto ao Ministério da Saúde. A escolha dos bairros que vão receber o Método Wolbachia primeiro será por meio de sorteio, metodologia proposta pelo Estudo Clínico Randomizado. 

Para a realização do RCT, serão convidadas para participar 60 crianças, na faixa etária de 6 a 11 anos, da 1ª à 3ª série, matriculadas em escolas públicas municipais de BH selecionadas para participar do projeto. Com a autorização dos responsáveis e o necessário consentimento das crianças, será colhida uma amostra de sangue, para avaliar se elas tiveram contato com o vírus da dengue,  Zika ou chikungunya.

Este estudo, chamado Projeto Evita Dengue, é realizado em colaboração com a implementação do Método Wolbachia, feita pelo WMP Brasil / Fiocruz em conjunto com a Prefeitura de Belo Horizonte. Trata-se de uma colaboração científica entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Emory, a Universidade Yale e a Universidade da Flórida. O estudo é financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID/NIH), dos Estados Unidos.

Antes do RCT, será realizado um piloto da operação do WMP Brasil em BH em três áreas de abrangência da Regional Venda Nova (Centros de Saúde Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga). A previsão é que a liberação dos mosquitos com Wolbachia seja iniciada ainda neste ano.

Mais informações sobre o Método Wolbachia estão disponíveis em @wmpbrasil. 

¹ Redução de 77,1% com intervalo de confiança de 95%: 65,3% a 84,9%
² https://trialsjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13063-018-2670-z